sábado, 14 de março de 2009

Programação do Centro de Estudos de Psicologia Evolucionista do Brasil



Em Maio o Centro de Estudos de Psicologia Evolucionista do Brasil (CEPEB) estará oferecendo o curso EVOLUÇÂO E COMPORTAMENTO HUMANO-CURSO I.

Este curso será dado no Rio de Janeiro, Leblon , por mim, Mauro Laskowsky e conta com a consultoria acadêmica do Dr. Paulo Nadanovsky , epidemiologista da UERJ, Phd em Saúde Pública pela Universidade de Londres e com Pós Doutorado em Psicologia Evolucionista pela Universidade Mc Master no Canadá.


Este curso será o primeiro de uma série a serem oferecidos no decorrer do ano.


Além dos cursos, o CEPEB está formando um grupo de supervisão e "re-leitura" de atendimentos clínicos, baseado nos recursos do pensamento evolucionista. Este grupo será voltado preferencialmente a psicoterapeutas.

Maiores informações poderão ser obtidas pelos telefones 21-32682871 ou 21-99882652

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Natureza pessoal e natureza da espécie


Com os conhecimentos que temos há algumas décadas não é difícil aceitar que características físicas como cor dos olhos cor da pele entre outras, são passadas por nossos pais e avós.

A questão que é não tão fácil de aceitar pela maioria das pessoas, é que características de personalidade, talentos e habilidades de um indivíduo, também são passadas geneticamente por seus pais e avós.

A maioria de nós foi ensinada direta ou indiretamente que nascemos uma folha em branco e que a educação que recebemos é capaz de constituir nossa personalidade para o bem ou para o mal.

Estudos comparativos com irmãos gêmeos idênticos, irmãos fraternos e adotados criados ou não na mesma casa com seus irmãos, feitos através de teste de QI e de questionários de preferências pessoais, mostram que essas características têm maior influencia genéticas do que ambientais ainda que o ambiente em que uma pessoa cresce pode ou não favorecer o potencial dessas características, o que por dedução lógica empata em importância o meio ambiente.

Estes estudos com irmãos foram um dos estudos mais repetidos e corroborados de toda a psicologia social.

Cada um de nós já vem com uma “natureza genética” própria. Uma natureza que nos deixa por exemplo, com tendência ao otimismo ou mais ao pessimismo, introvertidos ou extrovertidos, polêmicos ou fáceis de lidar. Essas tendências são quase totalmente imutáveis. Não há psicoterapia que consiga tornar uma pessoa com tendência ao pessimismo em otimista e vice versa.

Existe uma outra natureza genética, que é a das características da nossa espécie em relação as outras do mundo natural. Essas características são: o extremo apego aos nossos parentes, identificação fina de trapaça social, preocupação com a própria reputação em um grupo, capacidade de linguagem e outras que são o objeto de estudo da Psicologia Evolucionista.

Esta procura responder: Por que foi necessário para nossa sobrevivência, termos estas características enquanto espécie? Exatamente por que essas características comuns aos humanos (independentes da cultura de origem), acabaram por prevalecer em nós, no lugar de outras alternativas?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O avanço da genética


Recebi um artigo recente escrito por Steven Pinker que me foi enviado pelo Prof. Dr. Paulo Nadanovsky da UERJ que atualmente está em ano sabático no Canadá. O artigo se refere ao fato, entre outras coisas, de que os genes não só trazem traços biomédicos de nossos parentes mas também traços da nossa personalidade e habilidades.

É bom logo ressaltar que assim como no caso de heranças orgânicas, essa herança de personalidade e habilidades são probabilísticas e não deterministas. Ou seja, uma pessoa tem uma maior probabilidade de ter as mesmas preferências, habilidades e características de personalidade do seu irmão biológico do que tem em relação a uma pessoa estranha escolhida ao acaso, tendo ela sido criada ou não na mesma casa ou país do seu irmão biológico. Testes mostram que irmãos adotivos criados juntos, tem a probabilidade de ter características de personalidade tão parecidas, quanto duas pessoas estranhas escolhidas aleatoriamente na rua.

Essa colocação ainda causa surpresa e até repulsa na maioria dos meios profissionais ligados às áreas humanas aqui no Brasil. Frequentemente esta afirmação ainda carrega uma “nuvem” preconceituosa com viéis eugênico e ou de determinismo genético.

Hoje em dia uma pessoa já pode ter identificado seus traços genéticos com as probabilidades de ter certas doenças ou não, por U$ 399,00. A pesquisa genética e o conhecimento do genoma humano correm na velocidade da internet, como associa Pinker.

É bom que as entidades de formação de psicólogos aqui no Brasil, estejam antenados para o fato de que por exemplo, “ser criado pela avó”, tem menos importância em promover certas preferências da pessoa do que seus genes.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Estratégia Evolutivamente Estável


Segundo Richard Dawkins a Estratégia Evolutivamente Estável (EEE) é o conceito mais importante para compreensão do equilíbrio da natureza biológica depois do próprio conceito da evolução darwiniana.

A teoria da EEE foi desenvolvida por Maynard Smith e prediz que se estabelece um equilíbrio em grupos de seres vivos pelas forças da seleção natural até o ponto que este equilíbrio não será abalado por indivíduos que eventualmente tirariam vantagem (trapaceiros) do grupo estável.

Vou usar um exemplo em política para explicar aproximadamente o que seria a EEE: Suponha uma eleição para vereador em uma cidade. Surge um candidato que trapaceie e ofereça uma bicicleta a cada eleitor que votar nele. Este candidato começa a ter mais votos nas pesquisas de opinião e sua candidatura cresce. Então seus concorrentes começam a entender que a trapaça do primeiro é vantajosa e começam a oferecer presentes para os eleitores. Desse modo todos se tornam trapaceiros e a eleição corre o risco de entrar em colapso por falta de honestidade geral.

Porém pouco antes do colapso surge um candidato que percebe que se todos se tornaram trapaceiros ele resolve não trapacear e usa justamente o argumento de que é o único honesto, que não oferece presentes em troca de votos, para conquistar os eleitores. Esse individuo começa a subir nas pesquisas de modo que outros candidatos começam a copiar seu comportamento , surgindo uma nova onde de honestos, até que outra vez, num grupo de candidatos honestos, surge um trapaceiro que oferece uma bicicleta e de novo e o ciclo se repete.

O grupo de vereadores candidatos, ficará estável quando houver uma relação numérica entre honestos e trapaceiros de maneira que nem a eleição entre em colapso e nem que o fato de ser honesto não seja um argumento vantajoso.

Transportando para a natureza este exemplo, seria assim: O primeiro candidato desonesto, o da bicicleta, seria um indivíduo com temperamento trapaceiro por exemplo, um pássaro que levasse seus ovos para que um vizinho tivesse o trabalho de cuidar destes enquanto o trapaceiro tivesse mais tempo de acasalar com outros parceiros. Com o tempo este indivíduo começaria a deixar mais descendentes com temperamento igual ao seu de modo que prevalecem os trapaceiros e neste caso já não existiriam pássaros dispostos a cuidar de ovos.

Aí nasce aleatoriamente um indivíduo que por temperamento prefere cuidar ele mesmo de seus ovos em vez de priorizar a quantidade de acasalamentos e dessa maneira começa a deixar mais descendentes bons cuidadores, que começam a prevalecer na população, até que de novo nasça um trapaceiro que se aproveite dos cuidadores de ovos. A estabilidade ocorre quando a relação entre trapaceiros e cuidadores não inviabilize a existência desta espécie, mas que contemple um número estável de trapaceiros.

sábado, 22 de novembro de 2008

O natural e o humano


Na natureza é normal os animais avaliarem se um filhote nasce em condições de sobrevivência ou não. Aqueles que apresentam alguma deficiência são deixados de lado pelos pais, que passam a investir na prole que aparenta ter melhores condições.

Nos humanos alguns grupos praticam o infanticídio em situações em que a criança nasce com alguma vulnerabilidade que inviabilize o investimento parental em detrimento a outros filhos já nascidos ou por nascer.

Nessas culturas em que o infanticídio é uma possibilidade, a mãe nunca esquece a dor desta perda e dificilmente esquece a criança sacrificada. Portanto um acontecimento muito sentido e relevante na vida de uma mulher.

Rituais como o batismo e a circuncisão nos judeus, feitos após algum período do nascimento, podem ser entendidos aproximadamente, como o início do investimento formal a partir da certeza da saúde da criança.

Apesar de sermos parte da natureza, nossa espécie tem uma diferença fundamental em relação aos outros animais: A intensidade do sofrimento emocional.

Podemos supor que um chipanzé sofra com a perda de um filhote, mas nada comparável ao que nós humanos sofremos. O maior cérebro em relação ao corpo dentre todos os animais nos dotou da nossa maior habilidade: a inteligência. A mesma que nos faz sofrer pelo entendimento do absolutismo da perda de um filho em qualquer circunstância.

Imagino a “surpresa” dos nossos ancestrais que começaram antever e entender situações que podiam levar ao estado de algo inédito: o sofrimento emocional.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Psicologia do golpe do seqüestro


Muita gente no Rio de Janeiro tem sido vítima do golpe do seqüestro por telefone. Bandidos ligam para a casa da pessoa, dizendo que estão com um parente e pedem um dinheiro que deverá ser levado em algum ponto da cidade em troca do parente em questão. Geralmente eles instigam a pessoa a dizer o nome do seu próprio filho sem perceber e usam esse nome para desesperar a vítima.

Mas o que me tem chamado a atenção é o fato de que mesmo sabendo deste golpe já muito divulgado, as pessoas caem nele assim mesmo.

E o mais extraordinário é o seguinte: Todas as mães de conhecidos que tenho conversado (inclusive a minha própria), juram que ouviram a voz de seus filhos no fundo, pedindo ajuda. É quase um experimento involuntário e mórbido da incrível distorção que podemos fazer de nossos sentidos. Essas mães por algum mecanismo emocional incrível ouvem a voz de seus filhos mesmo não sendo eles a gritar no fundo na ligação.

Imagino que as mães quando percebem do que se trata o telefonema acima, colocam toda a sua atenção sensorial em cada micro ruído que seu ouvido é capaz de ouvir vindo do outro lado da linha. Esta super atenção, estando elas sob estresse, deve confundir a capacidade de avaliação da vítima a ponto dela acabar sucumbindo pela forte emoção.

Essa questão me veio à cabeça quando estava lenda um texto sobre “lembrança de vidas passadas” e também considerei as pessoas que juram terem vistos ETs, enfim crenças não comprovadas cientificamente mas que rondam o imaginário de um modo geral. A certeza que as pessoas têm de terem presenciado aparições ou fenômenos dessa natureza, deve ter um mecanismo cerebral semelhante de engano ou auto-convencimento ao que as mães acima sofrem.

Não é a toa que no meu caso particular foi meu padrasto que é Físico, portanto um homem acostumado com evidências, que salvou minha mãe do golpe, tendo a idéia de falar um nome qualquer para induzir o bandido ao erro evidenciando que se tratava de um golpe.

sábado, 8 de novembro de 2008

Solidariedade à dor alheia


A capacidade de identificar e compartilhar o sentimento de outra pessoa é uma das características mais impressionantes da nossa espécie.

Imagine alguns antílopes confortando uma antílope mãe, após seu filhote ter sido caçado por leões!!!

Nossa espécie é a única que conforta seus semelhantes na dor. Somos capazes de identificar a dor do outro e sentir fisiologicamente o que este outro deve estar sentindo.

Se o vizinho com quem nunca falamos antes perde um filho jovem, somos capazes de chorar pela dor que ele deverá estar passando.

Em algum momento da nossa evolução passamos a ter comportamentos que vão além dos mínimos necessários para simplesmente comer e reproduzir. Pelo menos comportamentos diretos para estes fins.

Funcionou assim:
Em algum momento da nossa vida ancestral, os indivíduos que tinham a capacidade de se solidarizar deixaram mais descendentes do que aqueles que não se solidarizavam. Até o ponto que os últimos praticamente desapareceram. Portanto ser solidário, ser capaz de sentir o que o outro está sentindo, passou a ser mais vantajoso evolutivamente falando, do que não o ser.

Nenhuma outra característica nos tornou mais “homo sapiens sapiens” do que esta. Nada nos distingue tanto entre os outros animais, do que ser capaz de confortar um de nós que sofre.

As pressões evolutivas que forjaram a empatia, a solidariedade nos humanos, acabaram por criar um das dinâmicas comportamentais mais impressionantes da evolução.