domingo, 19 de outubro de 2008

Comentário sobre o seqüestro de Santo André


Os psicólogos Margo Wilson e Martin Dale fizeram uma pesquisa em que eles mostram que de modo geral o homem tem em relação à sua mulher o mesmo conjunto de crenças cognitivas relativo ao conceito de "propriedade".

Lindemberg por conta de seu desequilíbrio deve ter sido consumido por este módulo instintivo e processado mal o fim do romance com Eloá a quem namorava desde que ela tinha 12 anos o que talvez tenha concorrido para confundir Eloá com “sua propriedade”.

Fiquei especulando em como se resolvia uma questão dessa natureza em nosso período pré-civilização, pré “Estado”. Um homem de uma família se apodera de uma mulher de outra família e por esta não o querer mais, ele a assassina. Vingança mortal por parte da família da moça em relação ao assassino, na certa.

Quando o Estado é inaugurado como detentor dos meios de resolução deste conflito, espera-se que ele dê conta de alguma espécie de instinto de “vingança” que faz parte da nossa natureza ancestral. Seria nosso Estado, nossa justiça capaz de corresponder a esta expectativa?

Por que suponho que a maioria dos brasileiros não se sentirão satisfeitos com a possível condenação que se dará a Lindemberg por maior que ela seja dentro de nossas leis?

O desafio do Estado é como “resolver” esta vingança institucional sem nos sentirmos bárbaros.

domingo, 12 de outubro de 2008

Natureza humana


Tenho gostado muito de postar enquetes pois elas mostram o que tem de similar no modo de agir e pensar nos humanos independente de sua cultura de origem. Ou alguém imagina que na enquete da casa em chamas um inomani, um aborígene, um esquimó, salvaria 20 estranhos e não seu filho?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Comentário sobres as enquetes ao lado


Na enquete da "casa em chamas" me surpreende as pessoas que não salvariam seu filho e sim seus sobrinhos mesmo sendo percentualmente pouco numerosas . Não estou dizendo que seja um absurdo. Na verdade é admirável e me parece que em se tratando de comportamentos humanos temos que falar sempre em pré disposições, tendências e estatísticamente mais provável...ou coisa parecida pois é difícil ver uma enquete com boa elaboração que não apresente um número de respostas que surpreendam até mesmo um psicólogo evolucionista como eu.

Na outra enquete o que me chama a atenção é que apenas um número pequeno de pessoas supõem que o psicoterapeuta "vai se tornar um conselheiro bem objetivo". Por que um conselheiro bem objetivo não seria uma ótima idéia? Não seria essa a melhor ajuda que um psicoterapeuta poderia dar para clientes com nível mínimo de maturidade?

Há uma necessidade da terapia oferecer ferramentas para o sujeito chegar a suas próprias conclusões. Mas um bom papo, um papo franco, com conselhos objetivos e se explicando o porquê se chegou a esta ou aquela opção, é ainda mais potente para dotar o cliente de ferramentas. E ainda, o conselho do terapeuta é um conselho apenas e não uma ordem. Podemos dar um conselho ruim e o cliente deve saber que esta possibilidade pode acontecer. Assim como aprendi com minha mestra Eloísa(Lita)Vidal que um psicoterapeuta nunca deve se apaixonar pelas suas hipóteses e que essas devem ser construídas como "castelos de areia" e não de "cimento", o mesmo se aplica aos conselhos.

Atualmente quando ouço de um psicoterapeutas que não opina, não da sua opinião pessoal, este me parece inseguro e irreal. Não há uma boa teoria que justifique esta prática.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bochecha, bumbum e seios


Uma especulação a princípio nada científica tem me feito pensar. Pelo menos não li nada profundo a respeito.

Se trata da atração que causa nos humanos formas arrendondadas e fofinhas com uma camada de pele em volta e preenchida rechonchudamente com a consistência de flocos de espuma porém lisinho, variando esta consistência entre mais macio ou mais durinho.

É quase impossível para nós não apertar, não tocar numa bochecha ou bumbum de neném e porque não mensionar seios e bumbum de mulheres também (nesse caso quando em intimidade).

Somos atraídos de maneira instintiva e quase irracional.

No livro "Como a mente funciona", Pinker cita uma tese de que nenéns têm a bochecha dessa forma justamente para impelir seus pais a terem muita vontade de cuidar dele. Seria uma adaptação evolutiva.

Desenhistas de histórias infantis criam seus personagens bochechudos com essa mesma intenção

Como ensina Desmond Morris no livro "O macaco pelado" nossa espécie evoluiu com as fêmeas tendo seios proeminentes na frente do corpo simulando a consistência e forma do bumbum já que somos os únicos primatas que fazem sexo de frente um para o outro. A vantagem evolutiva do sexo de frente tem a ver com a necessidade na nossa espécie da fêmea ser reconhecida pelo macho já que nossos bebês nascem muito vulneráveis. É nescessário uma cooperação dos pais para fazer vingar este bebê com isso desenvolvemos relações monogâmicas e então a necessidade de identificação clara da parceira e do parceiro.

A bochechinha do nenem teria tirado vantagem como um "efeito colateral" da atração selecionada por esta forma de bumbum, e dessa maneira serem mais paparicados.

Indivíduos alucinadamente atraídos por esta forma descrita acima foram selecionados e prevaleceram em relação aos que não se sentiam atraídos pela consistência digamos assim, de "coisinha fofa".

terça-feira, 24 de junho de 2008

Dimensões da Personalidade


Psicólogos descobriram que dezoito mil adjetivos relacionados à características de personlidade em um dicionário da língua inglesa podem ser ligados a uma dessas cinco dimensões de personalidade:

1)Aberto a novas experiências até sem muita curiosidade.
2)Sensível ao sentimento dos outros até totalmente sem escrúpulos.
3)Extrovertido até introvertido.
4)Costuma concordar até gosta de discordar, antagonizar.
5)Exageradamente preocupado até estável, calmo.

Faça uma escala de 0 a 5 para cada "lado" de cada uma dessas dimensões sendo um zero único no meio e trace seu perfil. Depois peça a alguem próximo que faça o mesmo procedimento em outra folha marcando na escala valores, levando em conta como ele ou ela lhe percebe e compare os resultados.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Herdeiros genéticos


Todos os organismos vivos se reproduzem. Independente da maneira, todos têm uma estratégia evolutivamente estável para se reproduzir. Talvez a única coisa em comum a todos os seres vivos é o fato de se reproduzirem.

A imersão neste raciocínio levou Richard Dawkins a desenvolver a tese do gene como a verdadeira e única unidade da evolução. Uma molécula -o DNA contendo as informações genéticas- que tem a extraordinária capacidade de fazer cópias de si mesmo e que foi criando por erros aleatórios nas suas cópias e por seleção natural, milhões de seres vivos diferentes.

Mas por que fiz esta introdução? Porque é muito forte em todos os seres vivos e em nós humanos, o instinto de deixar cópias de nós mesmos nas próximas gerações. O gene está por trás dessa força dessa razão de ser. Queremos ser pais e mães, planejamos este momento da nossa vida desde a adolescência. O objetivo de cada história de amor, de cada investimento romântico é um dia encontrar um par e com esse, ter filhos. A maneira como o gene “nos leva a fazer o que ele quer” é dando a seguinte mensagem: “ deseje muito transar com um exemplar do sexo oposto quanto mais a aparência ( cabelos, pele, dentes, simetria nas feições) deste mostrar sinais de ser possuidor de bons genes.”

Depois desta etapa é muito importante ter netos também. Queremos e investimos em nossos filhos para que deixem outros filhos que contenham nossa herança genética e assim as levem por gerações.

Esse instinto tão forte em nossa mente acaba desenvolvendo estratégias para maximizar seus objetivos. Se somos evolutivamente pressionados a deixar descendentes nas próximas gerações, é melhor ter um filho e desviar todos os recursos para este? É melhor ter muitos dividindo demais os recursos mas aumentar as possibilidades de deixar descendentes ? Enfim, qual a melhor estratégia para quem tem muitos recursos e qual a melhor estratégia para quem tem poucos?

Normalmente observamos que famílias muito pobres, têm mais filhos. Diferentemente do que muitos acabam pensando, não é por ignorância ou por falta de responsabilidade que estas famílias têm mais filhos; é sim porque tendo mais filhos aumenta potencialmente a possibilidade de com falta de suprimentos básicos, melhorar a chance de deixar herdeiros genéticos. A idéia de que pelo menos um ou dois vingue. Um ou dois deixem netos e bisnetos.

É uma contabilidade intuitiva que está sempre presente em nossa mente atuando no “piloto automático”. É importante que as políticas de saúde pública tenham este tipo de conhecimento em seus planejamentos.