quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Margo Wilson

É com pesar que soubemos do falecimento de Margo Wilson no mês de Setembro, ocorrido no Canadá. Tive a oportunidade de conhece-la no Rio este ano e pela alegria e bom humor não podia acreditar que vinha numa luta há anos contra um cancêr.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Origem evolutiva do Homossexualismo


O homossexualismo faz parte da natureza de alguns animais e do Homem também. Se o conjunto de genes que pré dispõem à este traço estão presentes no nosso “pool” genético, qual seriam as pressões evolutivas responsável por esta possibilidade?

No caso do homossexualismo masculino, a hipótese mais aceita de acordo com a literatura existente, é que em alguns casos na nossa vida ancestral, a estratégia de assegurar a passagem de genes através dos herdeiros diretos da irmã ou irmão, pode ter sido mais vantajosa em ambientes de recursos escassos severos. Desta maneira para estes indivíduos, investir nos sobrinhos era uma maneira mais eficaz de ter parte de seus genes representados nas próximas gerações, através dos 50% de genes que este compartilha com irmãs e irmãos biológicos. Portanto não foram selecionados nesses homens, genes que pré dispunham a “resposta” ao feromônio feminino.

Para explicar como teria sido selecionado genes que pré dispõem ao homossexualismo feminino, já que não há nada escrito, Dr. Paulo Nadanovsky em conversa informal comigo, formulou uma interessante tese: Como os machos da nossa espécie são mais promíscuos do que as fêmeas, estas para assegurar o provimento para seus filhos, teriam como opção vigiar muito proximamente seu macho (origem evolutiva da mulher possessiva e ciumenta) ou relaxar a ponto de concordar com a inclusão de outras fêmeas na “família”.

Esta tese ainda precisa ser “sabatinada” porem não deixa de ser interessante. No mínimo explica muito claramente a origem do ciúme.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Em Busca dos Genes do Mal


Em Busca dos Genes do Mal
Marcela Buscato - Barbara Oakley - Revista Época nº 505 de 21/01/2008


A pesquisadora diz que algumas pessoas são más por natureza. A culpa seria da genética.



Em seus 52 anos, Barbara Oakley colecionou atitudes de sua irmã que considerava inexplicáveis. Ela conta que a irmã, Carolyn, chegou a roubar o namorado da própria mãe - octogenário e com enfisema pulmonar - só para ir a Paris. Barbara diz que a viagem era um sonho de sua mãe. Depois da morte de Carolyn, de ataque cardíaco, Barbara decidiu usar seu conhecimento de bioengenharia para decifrar as raízes da maldade. No livro Evil Genes (Genes do Mal), lançado nos Estados Unidos, Barbara chega a uma conclusão polêmica: ela diz que algumas versões de genes podem tornar as pessoas más.

Revista Época - Como podemos reconhecer alguém mau por natureza?

Barbara Oakley - São aquelas pessoas maquiavélicas, que estão dispostas a fazer qualquer coisa para atingir seus objetivos. Elas podem ser extremamente legais na frente de alguém e tratar terrivelmente mal uma pessoa que não lhes interessa. São aquelas pessoas que mentem tanto que você chega a duvidar de si, e não delas. Também são incapazes de aceitar culpa. Se você as responsabiliza por alguma coisa, ficam tão irritadas que nem vale a pena o esforço.



RE - A senhora acredita que esse tipo de caráter é genético?

Barbara - Algumas pessoas nasceram para ser más. Já se sabe que nenhum gene sozinho pode ser responsabilizado por um determinado tipo de caráter. Mas há um grupo de genes que afeta o funcionamento do cérebro, principalmente em relação a nossas intenções, impulsividade, humor e ansiedade. E esses genes podem estar por trás de comportamentos que levam a uma personalidade problemática.



RE - Vários estudos mostram que os seres humanos são naturalmente cooperativos. Como explicar a evolução desses "genes do mal"?

Barbara - Há um nicho ambiental para as pessoas más. A própria evolução fez isso. Como a maior parte das pessoas é muito cooperativa, elas pensam que todo mundo é honesto - mesmo que alguns indivíduos sejam egoístas e estejam dispostos a trapacear. É assim que eles conseguem tirar vantagem das outras pessoas. E é assim que os genes do mal evoluem.



RE - Relacionar a presença de certos genes a determinados tipos de comportamento não pode gerar preconceito?

Barbara - É preciso evitar a idéia de que há certos tipos de pessoa com "genes do mal" ou que quem é bom não tem esses genes. Se você diz que algumas pessoas são más por causa de sua genética, alguém pode presumir que elas deviam ser proibidas de ter filhos. Podem imaginar que, nos livrando desses genes, a sociedade será melhor. E isso não é verdade.



RE - Mas como evitar essa associação determinista se a senhora mesma fala em "genes do mal"?

Barbara - As pessoas precisam entender que, para cada traço de nossa personalidade, talvez haja milhares de genes que afetam aquela característica. Alguns dos mesmos genes que podem tornar alguém maquiavélico, se misturados a outro conjunto de genes, podem fazer uma pessoa ser boa, gentil, ter as melhores características da humanidade. O gene COMT é um bom exemplo dessa relação custo–benefício na genética.



Um grupo de genes afeta nossas intenções, ansiedade, humor.
Eles podem explicar algumas personalidades problemáticas.


RE - Por quê?

Barbara - O gene COMT produz uma enzima que ajuda a regular a dopamina, uma substância presente em nosso cérebro que transmite as informações entre as células nervosas. Acontece que, quanto mais devagar você metaboliza a dopamina, mais esperto você é. Se alguém tem uma versão desse gene que não funciona muito bem, tem chances de ter um Q.I. alto. É claro que outros genes e o ambiente também têm um papel sobre isso. Mas você já reparou que algumas vezes parece que pessoas muito inteligentes também são mais neuróticas? É porque essa mesma versão do gene COMT que faz a pessoa ter uma memória melhor também está associada à ansiedade, à dificuldade de lidar com emoções. Eu o chamo de gene Woody Allen (cineasta americano que aborda neuroses comportamentais em seus filmes): ele torna a pessoa mais esperta, mas também mais neurótica.



RE - Não há como mudar o comportamento de uma pessoa que tenha versões desses "genes do mal"? Quanta influência tem o ambiente?

Barbara - Depende. No caso do gene que controla a produção de uma enzima, chamada MAO-A, o ambiente parece influenciar. Um estudo recente ligou o funcionamento ineficiente desse gene a distúrbios de personalidade. Descobriu-se que, se crianças com pouca enzima MAO-A crescerem num ambiente ruim, serão adultos problemáticos. Mas, se elas forem criadas em um ambiente bom, não terão uma personalidade conturbada. O número de pessoas que nasceram com uma confluência infeliz de genes, cuja condição não pode ser reparada, é muito pequeno.



RE - Há muitas pessoas maquiavélicas na sociedade?

Barbara - Na década de 1950, o psicólogo Richard Christie definiu características de pessoas que ele considerava maquiavélicas e fez um teste para detectá-las. O mais importante no trabalho dele foi mostrar que pessoas com esses traços estão a nosso redor. Em pequenas porcentagens, mas estão. Por exemplo, Adolph Hitler. Ele teria sido apenas mais um indivíduo detestável, alguém que nunca teria feito as coisas terríveis que fez, se não fosse por circunstâncias históricas e por algumas características singulares. A memória de Hitler era tão fantástica que ele podia lembrar o nome de todos os oficiais encarregados de cada divisão do Exército alemão. E podia falar por horas porque se lembrava de tudo. Isso lhe deu uma habilidade extraordinária para fazer com que as pessoas fizessem o que ele queria. A moral disso é que podemos ter um chefe que é um pequeno Hitler. Nas circunstâncias propícias, se esse tipo de pessoa tiver muitas outras sobre seu poder, ela pode ser como o ditador alemão.



RE - A psiquiatria já não fornece respostas satisfatórias para entender a maldade de algumas pessoas?

Barbara - Digamos que você conheça alguém com características similares às de Hitler. Essa pessoa costuma ser classificada como "narcisista maligna" (portadora de uma síndrome descrita pelo psiquiatra Otto Kernberg). Essa síndrome faz com que a pessoa se ache a melhor do mundo de maneira doentia. Para ela, é muito fácil mentir, manipular e prejudicar alguém porque, afinal, é por uma boa causa: ela mesma. Acontece que eu não encontrei nenhum estudo científico a respeito desse rótulo "narcisista maligno". Indivíduos com essas características são tachados dessa maneira, o que faz parecer com que sejam muito especiais, completamente diferentes dos outros. E isso não é verdade. Por isso, ficou mais difícil estudar essas pessoas: elas se tornaram tão raras que quase nunca são encontradas na população.



RE - A senhora diz que podemos ter um chefe que é um pequeno Hitler. Há alguma relação entre os "genes do mal" e o poder?

Barbara - Acho que você não consegue chegar ao topo de uma grande organização sem ter pelo menos algumas dessas características maquiavélicas. Claro que isso pode acontecer quando se é muito competente, honesto, e por causa de um excelente trabalho. Mas também quando se está disposto a trapacear. Como os maquiavélicos querem estar no controle, um maior número desses indivíduos chega ao topo. Isso significa que, conforme você sobe, muitas pessoas ainda são relativamente decentes. Mas haverá uma porcentagem maior de pessoas más.



RE - Se sua tese estiver correta, o que isso significa na vida prática? De que nos adianta saber que as raízes da maldade de alguém podem ser genéticas?

Barbara - Não podemos mudar as pessoas maquiavélicas. Mas saber disso é tremendamente poderoso porque nos permite escolher de maneira mais inteligente com quem nós nos associamos. E nos ajuda a não ficar tão magoados quando formos vítimas de alguém assim. Essas pessoas são programadas para ser más para uma pessoa e legais com outra. Elas colocam alguém em um pedestal e outra pessoa lá embaixo. Saber disso pode diminuir nosso sofrimento.

sábado, 25 de abril de 2009

Local e data ainda indefinidos.


Mandem um e-mail caso tenham interesse e avisarei local e data escolhidos.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Palestra com Margo Wilson e Martin Dale na UERJ



Participei hoje da palestra dada pelos psicólogos canadenses Martin Dale e Margo Wilson, que se realizou no Instituto de Medicina Social da UERJ.

O tema foi a conhecida pesquisa realizada pelo casal, que relaciona o maior números de homicídios à homens jovens e com pouca coisa a perder e pouca expectativa de futuro.

Como diz a música de Bob Dylan “If you got nothing, you got nothing to loose” (se você não tem nada, você não tem nada a perder).

A teoria evolucionista prediz, que nós humanos como todos os seres vivos, somos “programados” pelos nossos genes, para deixar o maior número de descendentes possível (incluindo nesse “cálculo” o número ótimo que contemple também cuidados até que os descendentes possam ser auto suficientes ). A teoria também evidencia, que a probabilidade de homens não deixarem descendentes é muito maior do que as mulheres. Mulheres escolhem homens que aparentam ser, ou ter o potencial de se tornarem capazes de prover uma família. Seriam homens com a chamada aptidão darwiniana (capacidade reprodutiva).

Portanto quanto mais afastado da faixa de recursos que lhes promovam uma maior aptidão reprodutiva, mais esses homens acabam por se arriscarem em encrencas que terminam em homicídios. Eles competem pela chamada “posição de prestígio no seu meio social” que lhe confiram poder. Este poder em última análise, lhes deixariam com as qualidades que as mulheres indentificam como sendo características de um bom provedor para sua família: bravura, prestígio, influencia, etc

Ninguém quando está no meio de uma briga, é capaz de sentir essa dinâmica descrita. É claro que é inconsciente. Essa é maneira como nossa mente funciona.

Tudo está relacionado à capacidade de ter, arranjar, conquistar, uma mulher. Simples assim.

Tudo que o macho da nossa espécie deseja, como o macho de todos os outro seres vivos também, é ter uma fêmea com quem possam deixar seus herdeiros genéticos.

Fêmeas também querem deixar os herdeiros tanto quanto os homens, porem elas terão sempre um homem disposto a “acasalar” se elas se mostrarem disponíveis. O esperma do homem é “barato” e produzido indefinidamente. Já o óvulo é limitado e portanto caro para a mulher que alem do mais, é quem mais investe no bebê que vai nascer. Por isso ela deve ser bem seletiva com quem vai “gastar” cada óvulo.

E isso faz toda a diferença na mente masculina e feminina.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Richard Dawkins


Tenho estado alegremente impactado com uma colocação brilhante de Richard Dawkins no seu livro “O Relojoeiro Cego”.

Falando sobre a capacidade de “milagres” acontecerem, ele coloca que se dê tempo, por maior que possa ser esse tempo e quase todas as coisas podem acontecer, até mesmo uma “estátua de mármore mover seu braço”, mesmo que com uma probabilidade ínfima disso acontecer.

O objetivo da colocação de Dawkins nesta obra, é mostrar que mesmo estruturas orgânicas complexas como por exemplo os olhos, podem se formar por evolução cumulativa, se tempo for dado para que pequenos “milagres” forem sucessivamente acontecendo. Esses pequenos milagres seriam os erros aleatórios nas cópias (filhos), que vão selecionando ou não melhores opções funcionais da estrutura em questão.

Ele coloca que por nosso período de vida ser de pouco menos de um século, nossa noção de riscos e probabilidades para que coisas aconteçam, está mentalmente contida ao tempo de nossa vida ou um pouco mais.

Se vivêssemos um milhão de anos em média, talvez nunca atrevessaríamos uma rua, pois a chance de ser atropelado em um milhão de anos seria quase de 100%. Nossa noção de coisas com muita pouca probabilidade de acontecer que hoje temos, seria outra. Seria muito fácil aceitar que uma estrutura com muito pouca probabilidade de acontecer, como são os olhos, de fato podem acontecer.

A genialidade de Darwin está em ter percebido essa enorme extenção de tempo, e as infinitas possibilidades de acontecimentos aleatórios que esse tempo proporcionou. Dentre esses maiores "milagres", a origem, a diversidade e a evolução das espécies.

sábado, 14 de março de 2009

Programação do Centro de Estudos de Psicologia Evolucionista do Brasil



Em Maio o Centro de Estudos de Psicologia Evolucionista do Brasil (CEPEB) estará oferecendo o curso EVOLUÇÂO E COMPORTAMENTO HUMANO-CURSO I.

Este curso será dado no Rio de Janeiro, Leblon , por mim, Mauro Laskowsky e conta com a consultoria acadêmica do Dr. Paulo Nadanovsky , epidemiologista da UERJ, Phd em Saúde Pública pela Universidade de Londres e com Pós Doutorado em Psicologia Evolucionista pela Universidade Mc Master no Canadá.


Este curso será o primeiro de uma série a serem oferecidos no decorrer do ano.


Além dos cursos, o CEPEB está formando um grupo de supervisão e "re-leitura" de atendimentos clínicos, baseado nos recursos do pensamento evolucionista. Este grupo será voltado preferencialmente a psicoterapeutas.

Maiores informações poderão ser obtidas pelos telefones 21-32682871 ou 21-99882652

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Natureza pessoal e natureza da espécie


Com os conhecimentos que temos há algumas décadas não é difícil aceitar que características físicas como cor dos olhos cor da pele entre outras, são passadas por nossos pais e avós.

A questão que é não tão fácil de aceitar pela maioria das pessoas, é que características de personalidade, talentos e habilidades de um indivíduo, também são passadas geneticamente por seus pais e avós.

A maioria de nós foi ensinada direta ou indiretamente que nascemos uma folha em branco e que a educação que recebemos é capaz de constituir nossa personalidade para o bem ou para o mal.

Estudos comparativos com irmãos gêmeos idênticos, irmãos fraternos e adotados criados ou não na mesma casa com seus irmãos, feitos através de teste de QI e de questionários de preferências pessoais, mostram que essas características têm maior influencia genéticas do que ambientais ainda que o ambiente em que uma pessoa cresce pode ou não favorecer o potencial dessas características, o que por dedução lógica empata em importância o meio ambiente.

Estes estudos com irmãos foram um dos estudos mais repetidos e corroborados de toda a psicologia social.

Cada um de nós já vem com uma “natureza genética” própria. Uma natureza que nos deixa por exemplo, com tendência ao otimismo ou mais ao pessimismo, introvertidos ou extrovertidos, polêmicos ou fáceis de lidar. Essas tendências são quase totalmente imutáveis. Não há psicoterapia que consiga tornar uma pessoa com tendência ao pessimismo em otimista e vice versa.

Existe uma outra natureza genética, que é a das características da nossa espécie em relação as outras do mundo natural. Essas características são: o extremo apego aos nossos parentes, identificação fina de trapaça social, preocupação com a própria reputação em um grupo, capacidade de linguagem e outras que são o objeto de estudo da Psicologia Evolucionista.

Esta procura responder: Por que foi necessário para nossa sobrevivência, termos estas características enquanto espécie? Exatamente por que essas características comuns aos humanos (independentes da cultura de origem), acabaram por prevalecer em nós, no lugar de outras alternativas?

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

O avanço da genética


Recebi um artigo recente escrito por Steven Pinker que me foi enviado pelo Prof. Dr. Paulo Nadanovsky da UERJ que atualmente está em ano sabático no Canadá. O artigo se refere ao fato, entre outras coisas, de que os genes não só trazem traços biomédicos de nossos parentes mas também traços da nossa personalidade e habilidades.

É bom logo ressaltar que assim como no caso de heranças orgânicas, essa herança de personalidade e habilidades são probabilísticas e não deterministas. Ou seja, uma pessoa tem uma maior probabilidade de ter as mesmas preferências, habilidades e características de personalidade do seu irmão biológico do que tem em relação a uma pessoa estranha escolhida ao acaso, tendo ela sido criada ou não na mesma casa ou país do seu irmão biológico. Testes mostram que irmãos adotivos criados juntos, tem a probabilidade de ter características de personalidade tão parecidas, quanto duas pessoas estranhas escolhidas aleatoriamente na rua.

Essa colocação ainda causa surpresa e até repulsa na maioria dos meios profissionais ligados às áreas humanas aqui no Brasil. Frequentemente esta afirmação ainda carrega uma “nuvem” preconceituosa com viéis eugênico e ou de determinismo genético.

Hoje em dia uma pessoa já pode ter identificado seus traços genéticos com as probabilidades de ter certas doenças ou não, por U$ 399,00. A pesquisa genética e o conhecimento do genoma humano correm na velocidade da internet, como associa Pinker.

É bom que as entidades de formação de psicólogos aqui no Brasil, estejam antenados para o fato de que por exemplo, “ser criado pela avó”, tem menos importância em promover certas preferências da pessoa do que seus genes.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Estratégia Evolutivamente Estável


Segundo Richard Dawkins a Estratégia Evolutivamente Estável (EEE) é o conceito mais importante para compreensão do equilíbrio da natureza biológica depois do próprio conceito da evolução darwiniana.

A teoria da EEE foi desenvolvida por Maynard Smith e prediz que se estabelece um equilíbrio em grupos de seres vivos pelas forças da seleção natural até o ponto que este equilíbrio não será abalado por indivíduos que eventualmente tirariam vantagem (trapaceiros) do grupo estável.

Vou usar um exemplo em política para explicar aproximadamente o que seria a EEE: Suponha uma eleição para vereador em uma cidade. Surge um candidato que trapaceie e ofereça uma bicicleta a cada eleitor que votar nele. Este candidato começa a ter mais votos nas pesquisas de opinião e sua candidatura cresce. Então seus concorrentes começam a entender que a trapaça do primeiro é vantajosa e começam a oferecer presentes para os eleitores. Desse modo todos se tornam trapaceiros e a eleição corre o risco de entrar em colapso por falta de honestidade geral.

Porém pouco antes do colapso surge um candidato que percebe que se todos se tornaram trapaceiros ele resolve não trapacear e usa justamente o argumento de que é o único honesto, que não oferece presentes em troca de votos, para conquistar os eleitores. Esse individuo começa a subir nas pesquisas de modo que outros candidatos começam a copiar seu comportamento , surgindo uma nova onde de honestos, até que outra vez, num grupo de candidatos honestos, surge um trapaceiro que oferece uma bicicleta e de novo e o ciclo se repete.

O grupo de vereadores candidatos, ficará estável quando houver uma relação numérica entre honestos e trapaceiros de maneira que nem a eleição entre em colapso e nem que o fato de ser honesto não seja um argumento vantajoso.

Transportando para a natureza este exemplo, seria assim: O primeiro candidato desonesto, o da bicicleta, seria um indivíduo com temperamento trapaceiro por exemplo, um pássaro que levasse seus ovos para que um vizinho tivesse o trabalho de cuidar destes enquanto o trapaceiro tivesse mais tempo de acasalar com outros parceiros. Com o tempo este indivíduo começaria a deixar mais descendentes com temperamento igual ao seu de modo que prevalecem os trapaceiros e neste caso já não existiriam pássaros dispostos a cuidar de ovos.

Aí nasce aleatoriamente um indivíduo que por temperamento prefere cuidar ele mesmo de seus ovos em vez de priorizar a quantidade de acasalamentos e dessa maneira começa a deixar mais descendentes bons cuidadores, que começam a prevalecer na população, até que de novo nasça um trapaceiro que se aproveite dos cuidadores de ovos. A estabilidade ocorre quando a relação entre trapaceiros e cuidadores não inviabilize a existência desta espécie, mas que contemple um número estável de trapaceiros.

sábado, 22 de novembro de 2008

O natural e o humano


Na natureza é normal os animais avaliarem se um filhote nasce em condições de sobrevivência ou não. Aqueles que apresentam alguma deficiência são deixados de lado pelos pais, que passam a investir na prole que aparenta ter melhores condições.

Nos humanos alguns grupos praticam o infanticídio em situações em que a criança nasce com alguma vulnerabilidade que inviabilize o investimento parental em detrimento a outros filhos já nascidos ou por nascer.

Nessas culturas em que o infanticídio é uma possibilidade, a mãe nunca esquece a dor desta perda e dificilmente esquece a criança sacrificada. Portanto um acontecimento muito sentido e relevante na vida de uma mulher.

Rituais como o batismo e a circuncisão nos judeus, feitos após algum período do nascimento, podem ser entendidos aproximadamente, como o início do investimento formal a partir da certeza da saúde da criança.

Apesar de sermos parte da natureza, nossa espécie tem uma diferença fundamental em relação aos outros animais: A intensidade do sofrimento emocional.

Podemos supor que um chipanzé sofra com a perda de um filhote, mas nada comparável ao que nós humanos sofremos. O maior cérebro em relação ao corpo dentre todos os animais nos dotou da nossa maior habilidade: a inteligência. A mesma que nos faz sofrer pelo entendimento do absolutismo da perda de um filho em qualquer circunstância.

Imagino a “surpresa” dos nossos ancestrais que começaram antever e entender situações que podiam levar ao estado de algo inédito: o sofrimento emocional.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Psicologia do golpe do seqüestro


Muita gente no Rio de Janeiro tem sido vítima do golpe do seqüestro por telefone. Bandidos ligam para a casa da pessoa, dizendo que estão com um parente e pedem um dinheiro que deverá ser levado em algum ponto da cidade em troca do parente em questão. Geralmente eles instigam a pessoa a dizer o nome do seu próprio filho sem perceber e usam esse nome para desesperar a vítima.

Mas o que me tem chamado a atenção é o fato de que mesmo sabendo deste golpe já muito divulgado, as pessoas caem nele assim mesmo.

E o mais extraordinário é o seguinte: Todas as mães de conhecidos que tenho conversado (inclusive a minha própria), juram que ouviram a voz de seus filhos no fundo, pedindo ajuda. É quase um experimento involuntário e mórbido da incrível distorção que podemos fazer de nossos sentidos. Essas mães por algum mecanismo emocional incrível ouvem a voz de seus filhos mesmo não sendo eles a gritar no fundo na ligação.

Imagino que as mães quando percebem do que se trata o telefonema acima, colocam toda a sua atenção sensorial em cada micro ruído que seu ouvido é capaz de ouvir vindo do outro lado da linha. Esta super atenção, estando elas sob estresse, deve confundir a capacidade de avaliação da vítima a ponto dela acabar sucumbindo pela forte emoção.

Essa questão me veio à cabeça quando estava lenda um texto sobre “lembrança de vidas passadas” e também considerei as pessoas que juram terem vistos ETs, enfim crenças não comprovadas cientificamente mas que rondam o imaginário de um modo geral. A certeza que as pessoas têm de terem presenciado aparições ou fenômenos dessa natureza, deve ter um mecanismo cerebral semelhante de engano ou auto-convencimento ao que as mães acima sofrem.

Não é a toa que no meu caso particular foi meu padrasto que é Físico, portanto um homem acostumado com evidências, que salvou minha mãe do golpe, tendo a idéia de falar um nome qualquer para induzir o bandido ao erro evidenciando que se tratava de um golpe.

sábado, 8 de novembro de 2008

Solidariedade à dor alheia


A capacidade de identificar e compartilhar o sentimento de outra pessoa é uma das características mais impressionantes da nossa espécie.

Imagine alguns antílopes confortando uma antílope mãe, após seu filhote ter sido caçado por leões!!!

Nossa espécie é a única que conforta seus semelhantes na dor. Somos capazes de identificar a dor do outro e sentir fisiologicamente o que este outro deve estar sentindo.

Se o vizinho com quem nunca falamos antes perde um filho jovem, somos capazes de chorar pela dor que ele deverá estar passando.

Em algum momento da nossa evolução passamos a ter comportamentos que vão além dos mínimos necessários para simplesmente comer e reproduzir. Pelo menos comportamentos diretos para estes fins.

Funcionou assim:
Em algum momento da nossa vida ancestral, os indivíduos que tinham a capacidade de se solidarizar deixaram mais descendentes do que aqueles que não se solidarizavam. Até o ponto que os últimos praticamente desapareceram. Portanto ser solidário, ser capaz de sentir o que o outro está sentindo, passou a ser mais vantajoso evolutivamente falando, do que não o ser.

Nenhuma outra característica nos tornou mais “homo sapiens sapiens” do que esta. Nada nos distingue tanto entre os outros animais, do que ser capaz de confortar um de nós que sofre.

As pressões evolutivas que forjaram a empatia, a solidariedade nos humanos, acabaram por criar um das dinâmicas comportamentais mais impressionantes da evolução.

domingo, 19 de outubro de 2008

Comentário sobre o seqüestro de Santo André


Os psicólogos Margo Wilson e Martin Dale fizeram uma pesquisa em que eles mostram que de modo geral o homem tem em relação à sua mulher o mesmo conjunto de crenças cognitivas relativo ao conceito de "propriedade".

Lindemberg por conta de seu desequilíbrio deve ter sido consumido por este módulo instintivo e processado mal o fim do romance com Eloá a quem namorava desde que ela tinha 12 anos o que talvez tenha concorrido para confundir Eloá com “sua propriedade”.

Fiquei especulando em como se resolvia uma questão dessa natureza em nosso período pré-civilização, pré “Estado”. Um homem de uma família se apodera de uma mulher de outra família e por esta não o querer mais, ele a assassina. Vingança mortal por parte da família da moça em relação ao assassino, na certa.

Quando o Estado é inaugurado como detentor dos meios de resolução deste conflito, espera-se que ele dê conta de alguma espécie de instinto de “vingança” que faz parte da nossa natureza ancestral. Seria nosso Estado, nossa justiça capaz de corresponder a esta expectativa?

Por que suponho que a maioria dos brasileiros não se sentirão satisfeitos com a possível condenação que se dará a Lindemberg por maior que ela seja dentro de nossas leis?

O desafio do Estado é como “resolver” esta vingança institucional sem nos sentirmos bárbaros.

domingo, 12 de outubro de 2008

Natureza humana


Tenho gostado muito de postar enquetes pois elas mostram o que tem de similar no modo de agir e pensar nos humanos independente de sua cultura de origem. Ou alguém imagina que na enquete da casa em chamas um inomani, um aborígene, um esquimó, salvaria 20 estranhos e não seu filho?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Comentário sobres as enquetes ao lado


Na enquete da "casa em chamas" me surpreende as pessoas que não salvariam seu filho e sim seus sobrinhos mesmo sendo percentualmente pouco numerosas . Não estou dizendo que seja um absurdo. Na verdade é admirável e me parece que em se tratando de comportamentos humanos temos que falar sempre em pré disposições, tendências e estatísticamente mais provável...ou coisa parecida pois é difícil ver uma enquete com boa elaboração que não apresente um número de respostas que surpreendam até mesmo um psicólogo evolucionista como eu.

Na outra enquete o que me chama a atenção é que apenas um número pequeno de pessoas supõem que o psicoterapeuta "vai se tornar um conselheiro bem objetivo". Por que um conselheiro bem objetivo não seria uma ótima idéia? Não seria essa a melhor ajuda que um psicoterapeuta poderia dar para clientes com nível mínimo de maturidade?

Há uma necessidade da terapia oferecer ferramentas para o sujeito chegar a suas próprias conclusões. Mas um bom papo, um papo franco, com conselhos objetivos e se explicando o porquê se chegou a esta ou aquela opção, é ainda mais potente para dotar o cliente de ferramentas. E ainda, o conselho do terapeuta é um conselho apenas e não uma ordem. Podemos dar um conselho ruim e o cliente deve saber que esta possibilidade pode acontecer. Assim como aprendi com minha mestra Eloísa(Lita)Vidal que um psicoterapeuta nunca deve se apaixonar pelas suas hipóteses e que essas devem ser construídas como "castelos de areia" e não de "cimento", o mesmo se aplica aos conselhos.

Atualmente quando ouço de um psicoterapeutas que não opina, não da sua opinião pessoal, este me parece inseguro e irreal. Não há uma boa teoria que justifique esta prática.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Bochecha, bumbum e seios


Uma especulação a princípio nada científica tem me feito pensar. Pelo menos não li nada profundo a respeito.

Se trata da atração que causa nos humanos formas arrendondadas e fofinhas com uma camada de pele em volta e preenchida rechonchudamente com a consistência de flocos de espuma porém lisinho, variando esta consistência entre mais macio ou mais durinho.

É quase impossível para nós não apertar, não tocar numa bochecha ou bumbum de neném e porque não mensionar seios e bumbum de mulheres também (nesse caso quando em intimidade).

Somos atraídos de maneira instintiva e quase irracional.

No livro "Como a mente funciona", Pinker cita uma tese de que nenéns têm a bochecha dessa forma justamente para impelir seus pais a terem muita vontade de cuidar dele. Seria uma adaptação evolutiva.

Desenhistas de histórias infantis criam seus personagens bochechudos com essa mesma intenção

Como ensina Desmond Morris no livro "O macaco pelado" nossa espécie evoluiu com as fêmeas tendo seios proeminentes na frente do corpo simulando a consistência e forma do bumbum já que somos os únicos primatas que fazem sexo de frente um para o outro. A vantagem evolutiva do sexo de frente tem a ver com a necessidade na nossa espécie da fêmea ser reconhecida pelo macho já que nossos bebês nascem muito vulneráveis. É nescessário uma cooperação dos pais para fazer vingar este bebê com isso desenvolvemos relações monogâmicas e então a necessidade de identificação clara da parceira e do parceiro.

A bochechinha do nenem teria tirado vantagem como um "efeito colateral" da atração selecionada por esta forma de bumbum, e dessa maneira serem mais paparicados.

Indivíduos alucinadamente atraídos por esta forma descrita acima foram selecionados e prevaleceram em relação aos que não se sentiam atraídos pela consistência digamos assim, de "coisinha fofa".

terça-feira, 24 de junho de 2008

Dimensões da Personalidade


Psicólogos descobriram que dezoito mil adjetivos relacionados à características de personlidade em um dicionário da língua inglesa podem ser ligados a uma dessas cinco dimensões de personalidade:

1)Aberto a novas experiências até sem muita curiosidade.
2)Sensível ao sentimento dos outros até totalmente sem escrúpulos.
3)Extrovertido até introvertido.
4)Costuma concordar até gosta de discordar, antagonizar.
5)Exageradamente preocupado até estável, calmo.

Faça uma escala de 0 a 5 para cada "lado" de cada uma dessas dimensões sendo um zero único no meio e trace seu perfil. Depois peça a alguem próximo que faça o mesmo procedimento em outra folha marcando na escala valores, levando em conta como ele ou ela lhe percebe e compare os resultados.